O Protagonismo das Mulheres - CNTU


As mulheres constituem 52% da população brasileira e do colégio eleitoral do País, 46% da População Economicamente Ativa (PEA) e 44% da população ocupada. Para cada 100 brasileiros com 12 anos ou mais de estudos, há 57 mulheres e 43 homens e, em quase todos os setores da economia, as mulheres que trabalham têm média de escolaridade superior à dos homens. Esse protagonismo feminino no Brasil é observado também em nível mundial, notadamente nas sociedades em que as relações sociais de produção são predominantemente capitalistas e globalizadas. O fenômeno trata-se de um complexo processo de transformação social em que as mulheres emergem como força política, participando da vida pública e trazendo para o espaço social questões antes restritas ao mundo doméstico.

Com a industrialização e o amplo emprego das mulheres no trabalho fabril, elas passam a frequentar a vida pública, ou seja, a agir na pólis através do exercício público da palavra.

E a palavra que emerge dos movimentos de mulheres e feministas, já no século XIX, são de denúncia e contestação da exploração da mulher no trabalho fora e dentro de casa e de sua não representação na esfera pública. As mulheres manifestam o desejo de criar uma sociedade nova, com valores mais condizentes com a condição feminina. É o que podemos ver em vários registros históricos, como nessa mensagem:


“ Não é só para si que as mulheres trabalham, sustentando-se sempre, atirando-se uma após outra na estrada do progresso, fazendo sobressair toda a obra feminina, toda iniciativa, virtude e ciência feminina; é para a sociedade inteira, para o advento da justiça na ordem social. (...) Fazei-vos solidárias em tudo quanto exista em outra mulher de bom e de belo, fazendo brotar daí uma sociedade nova, em que os próprios homens não ousarão mostrar-se mais adversários das mulheres, em que a igualdade se tornará causa natural.” (A Mensageira, no 35, São Paulo, 15 de dezembro de 1899)

Nas gerações de feministas que atuaram nas últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX, destacam-se os movimentos sufragistas que tiveram presença de mulheres das diversas classes sociais. No Brasil, a luta que obteve êxito em 1932 contou com a liderança de mulheres combativas, fortes, independentes, muitas delas com formação universitária, numa época em que isso era raro. São exemplos, entre tantas outras, a jornalista Nisia Floresta e a médica Berta Lutz.

Destaca-se ainda nas gerações pioneiras a ação de socialistas, comunistas e líderes operárias que militaram contra a exploração de homens e mulheres e combateram as culturas e hábitos machistas da sociedade. Foi numa conferência internacional socialista , em 1910, em Copenhague (Dinamarca), que Clara Zetkin lançou a ideia de se criar o Dia Internacional da Mulher. Comemorada já nas primeiras décadas do século XX, a data caiu no esquecimento e ressurgiu com força pelas mãos dos movimentos feministas no pós-guerra, especialmente nos anos 1960 e 1970.


No Brasil, também foi ativa a aliança entre setores intelectuais, feministas e movimento operário e sindical. Uma das lideranças desse processo foi a jornalista Patrícia Galvão, que expunha em jornais da época suas posições de esquerda em favor da mulher trabalhadora.

Depois de alguns anos de silêncio nos duros tempos de duas guerras mundiais, os movimentos de mulheres e feministas reaparecem com força no cenário político mundial no pós-guerra. Não se trata mais apenas de denunciar, reivindicar, mas também de reinterpretar o mundo a partir de óticas femininas, fazendo nascer um forte pensamento de mulheres e sobre a sua condição. Estudos e pesquisas em várias disciplinas, como filosofia, sociologia, história, antropologia, economia, mais que refletem as expectativas das feministas, criam feminismo, difundem seus valores através da literatura, do cinema, da música, do jornalismo e de outros meios que formam comportamentos sociais. Nesse sentido, há de se reconhecer o fundamental papel do movimento feminista na difusão do princípio da igualdade, hoje compartilhado por multidões em todo o mundo.

Os movimentos feministas e de emancipação das mulheres no final dos anos 1960 e início de 1970 do século XX têm forte relevância nas formas atuais de definir a política e os movimentos sociais, assim como respondem por uma profunda mudança nos valores culturais do mundo ocidental. No Brasil, os movimentos de mulheres foram forças ativas de fundamental importância na renovação do movimento sindical, na luta contra a ditadura e pelas liberdades democráticas, nas conquistas sociais na Constituição de 1988 que redemocratiza o País e reconhece as mulheres como cidadãs, na instituição dos programas de assistência à saúde da mulher na saúde pública, nas lutas contra a violência e conquistas legais que responsabilizam os agressores e assassinos de mulheres, na conquista de cotas para mulheres nos partidos, sindicatos e parlamentos e em outras instituições.

http://cntu.org.br/cntu/_FILES/publicacoes/04042014-202131-diretrizesgenerodocumentoparadiscussao.pdf

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